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Posts Tagged ‘Crónica’

C-Btv_GarbageAcabam as aulas. Vou estudar. Chego a casa e não paro de me questionar: será que está alguém em casa? Olho para o sofá e não vejo ninguém. Sento-me, ligo a televisão, pego no comando e clico, por engano, no canal cinco, o melhor canal do mundo!

Apercebo-me de que os homens da paz aparecem nas notícias a ameaçarem-se um ao outro: se mais alguma bomba for utilizada, declaro guerra! – Disse o americano ao pequeno coreano. Será que esta ameaça é só “garganta” ou vai haver guerra? Bem, continuo a ver o telejornal. O jornalista pivô continua, sem se preocupar com o facto de uma nova guerra começar.

O reino dos anúncios começa. A repetição e os produtos são o mais interessante do telejornal! Parece que toda a gente passa à frente do telejornal só para ver os modelos a desfilarem em frente às câmaras. De repente, os anúncios acabam, e tudo volta a ser como era. O jornalista a tagarelar sempre a mesma coisa: “ E agora, vamos falar sobre os refugiados” ou então “incêndio ameaça as casas”, para não falar do futebol.

Está na hora. As notícias acabaram. As audiências desapareceram, e passa “TV SHOP”.

 João Gonçalves, 9.º D

imagem daqui

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Chego à escola, às 8:30h. Lentamente, saio do carro, arrasto-me para a escola. À entrada, faço um compasso de espera. Mentalizo-me. Finalmente, ganho coragem e entro na escola.

Sei o que me espera: o terror, não das aulas (às aulas estou eu habituado), mas do temido almoço. Às vezes, pergunto-me como pode uma refeição, uma mera refeição, ser condenada desta maneira. Até nas conversas de recreio ela conseguiu impor a sua posição, através de perguntas como “O 22640que é o almoço, hoje?” ou “Hoje, o comer é bom?”. Irritante, mas impressionante.

Apesar de todos os queixumes e lamúrias – não sei se é por não terem mais nenhum sítio onde comer, ou por terem sido aliciados pelo humilde 1,46€ -, imensos são os alunos ou críticos alimentares que formam a fila diária de 10 metros para degustarem a comida do refeitório.

Por isso, pergunto-me: por que é que os alunos vão almoçar uma comida da qual dizem tanto mal? Sim, porque não existe nenhuma criança que não tenha, em momento algum, criticado o almoço da escola.

Chego à conclusão que o problema não é só da minha escola e, muito menos, um problema das crianças.

Já os adultos, os tão corretos adultos, também estão sempre a queixar-se. Ora se queixam dos preços altos, ora se queixam do trânsito. Até do primeiro-ministro que eles próprios elegeram se queixam, imaginem só!

Se calhar, o problema é do povo português, que, por, durante a História, scribe-cartoonter sido sempre tratado como uma raça inferior (fruto de uma briga entre D. Afonso Henriques e sua mãe), desenvolveu um mecanismo que o deixa sempre insatisfeito e que funciona como uma espécie de barreira mental que evita que seja enganado pelos outros.

Realmente, as pessoas estão sempre insatisfeitas. De certo modo, até estou satisfeito. Afinal, o problema não é só meu.

António Coelho,  9.º B

imagens daqui e daqui

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Subi as escadas do metro, acompanhada pela minha mãe, e, já com um leve atraso, dirigi-me à máquina de carregar os bilhetes, onde estava apenas uma senhora idosa, aparentemente em dificuldade com a utilização da máquina.

ce7d7bed1a84cd204b8fa0f8f9c659cdAtrás de mim, rapidamente se formou uma fila de pessoas, algumas um pouco impacientes. Quando, finalmente, decidi ajudar a senhora à minha frente, fui interrompida.

Atrás de mim, ouvi uma voz rouca e indelicada que sugeria à senhora, pouco agradavelmente, que se chegasse para o lado e deixasse as pessoas passar, pois estavam atrasadas. Isto inquietou, ainda mais, a senhora, fazendo-a desistir e ir embora.

A falta de civismo foi evidente. A ausência de tolerância e de compreensão pela situação desencadeada deixaram-me algo desiludida com o ser humano em geral.

Há um momento, na vida de cada um de nós, em que precisamos de ajuda, ou seja, “não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti”.

Catarina Pereira, 9.º B

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Um destes dias, ao pesquisar na net, encontrei um artigo que me deixou agoniada. Falava sobre a descoberta, feita por cientistas, para conseguirem ter mais quantidade de morangos com maior qualidade durante o inverno. tumblr_mg8hu90D741r6wo6vo1_500Para conseguir este objetivo, é introduzido, nos morangos, um líquido extraído do interior do peixe do Ártico.
Os cientistas descobriram que este líquido conserva os morangos e os protege do frio, mantendo a sua cor vermelha. È também possível, com este líquido, obter morangos com outras cores. Será que algum dia, ao pedir uma taça de morangos, me trarão um arco-íris dentro de uma taça?
Longe vão os tempos em que a nossa alimentação era natural, sem aditivos nem experiências científicas que tanto afetam a nossa saúde e dificultam uma alimentação saudável. Resta-nos uma questão: alguma vez conseguiremos olhar para os morangos da mesma forma?

Rosebele Nunes,  9.º B

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Entro na sala, retiro o caderno e preparo-me para iniciar a lição. Um grande alvoroço na sala, idêntico ao de um estádio de futebol.

Enquanto escrevo o sumário, a professora esforça- se por manter o silêncio.

No decorrer da aula, os alunos trocam galhardetes. Os da frente com os de trás, e assim sucessivamente. Parece um torneio de ténis. Só faltava mesmo a rede.

puzzleAssim que a professora vira as costas ou responde às dúvidas dos interessados, é como se tocasse uma sineta, dando início a um combate. Os interessados permanecem imóveis, focados nos seus objetivos, no seu futuro. Parecem imunes ao que os rodeia.

E eu? Onde me encaixo? Por vezes, sinto que faço parte dos irrequietos, mas na maioria das vezes, faço parte daqueles com quem me identifico: os aplicados, que têm negativa porque não se aplicaram ou estiveram na brincadeira, e dão a volta por cima e aplicam- se nas aulas e no estudo, pois hoje em dia, se não estudares, o que vais fazer de ti? Do teu futuro?

João Serra,  9.º B

imagem daqui

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relogio2Muitas vezes, ao longo do dia, perdemos alguns segundos a ver as horas: quanto falta para a aula de português acabar; para saber se o autocarro daquela carreira rotineira já passou; quantas horas teremos de sono. Enfim, são inúmeras as ocasiões em que perdemos tempo preocupando-nos com o tempo.

Dispensando agora um pouco do nosso tempo para falar sobre ele, concluímos que a este se pode chamar  ingrato. Ora passa rápido, ora passa devagar. Por exemplo, quando estamos a fazer algo aborrecidos ou contrariados, o tempo vira-se contra nós, demorando a passar. Assim que este nos vê felizes, a fazer algo prazenteiro, parece que faz de propósito e acaba com essa nossa felicidade, fazendo com que essas horas ou minutos pareçam uns míseros milésimos de segundo.artlimited_img330827

Tal como já foi referido, é um ingrato. Resta-nos a nós, submissos ao tempo, tentar manipulá-lo – missão impossível… pois, enquanto tentamos manipulá-lo, ele continua a passar e continuamos a dar-lhe a atenção que não merece, não escondendo o que sentimos.

Por isso, antes que o tempo acabe, devemos ver cada situação do dia a dia de forma positiva, até ao último segundo, antes que este nos tire o pouco tempo que temos.

Filipa Beirão, Joana Carrilho e Micaela Pina, 10º I/J

imagens editadas daqui e daqui

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O despertador tocou. Estava atrasadíssima! Corri para o chuveiro mas faltou a luz. Desci com os ténis por apertar e peguei numa maçã, na mochila e saí de casa. O autocarro já tinha passado há quase meia-hora, por isso pedi boleia ao meu vizinho. A minha cabeça, já stressada, balançava com os inúmeros solavancos que o carro dava, a cada tentativa sem sucesso de ultrapassar um carro que fosse naquela fila interminável e inexplicável, dada a hora. A cada dez segundos, uma luz vermelha acendia-se por um período de tempo interminável em cada semáforo. E o carro andava, parava, andava, parava, andava…e parou de vez.

Um pequeno e inconveniente furo no pneu fez-me correr os últimos quinhentos metros até à escola. Percebi, então, que o cartão tinha ficado perdido algures no carro do meu vizinho e que o telemóvel não tinha bateria.

Corri desalmadamente...  Já tinha falta, claramente

Corri desalmadamente… Já tinha falta, claramente

Sem parar de correr, entrei. Bati à porta, à espera que um professor zangado a abrisse, revelando uma turma barulhenta e uma colega sozinha e preocupada. Mas, em vez disso, ouvi alguém gritar “Jajão!…” e percebi o disparate: sala errada! Perguntei à funcionária onde é que deveria estar a ter aula e a resposta tirou-me a réstia de fôlego que me sobrava: estávamos a ter Educação Física.

Corri desalmadamente, como se já não tivesse exercitado o suficiente. Já tinha falta, claramente, e tendo em conta que o equipamento ficara esquecido no cacifo, só me restava esperar pelo toque. Passei o intervalo a copiar os T.P.C.’s que devia ter feito, calmamente, nessa manhã.

Chegou, finalmente, a hora de almoço, mas só para alguns: sem cartão não há almoço! Depois da longa aula da tarde, lá saí para comer. A minha mãe já me esperava lá fora para me levar para casa. Mas agora é que eu não tinha pressa nenhuma: explicar-lhe o porquê da desarrumação em que tinha deixado a casa, e da falta não me deixava muito entusiasmada. Enfim… o carro foi lá dar direitinho,  passando rapidamente por todas as luzes verdes e sinais de condutores simpáticos (ou não) que nos deixavam passar. Só me faltava esta!

Bia, 9ºA

imagem daqui

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"Amor", Olga Pavlovavia Pinzellades al món

“Amor”, Olga Pavlova
via Pinzellades al món

[…] Diz-se que não há amor como o primeiro e é verdade. Há amores maiores, amores melhores, amores mais bem pensados e apaixonadamente vividos. Há amores mais duradouros. Quase todos. Mas não há amor como o primeiro. É o único que estraga o coração e que o deixa estragado.

É como uma criança que põe os dedos dentro de uma tomada eléctrica. É esse o choque, a surpresa «Meu Deus! Como pode ser!» do primeiro amor. Os outros amores poderão ser mais úteis, até mais bonitos, mas são como ligar electrodomésticos à corrente. Este amor mói-nos o juízo como a Moulinex mói café. Aquele amor deixa-nos cozidos por dentro e com suores frios por fora, tal e qual num micro-ondas. Mas o «Zing!» inicial, o tremor perigoso que se nos enfia por baixo das unhas e dá quatro mil voltas ao corpo, naquele micro-segundo de electricidade que nos calhou, só acontece no primeiro amor.[…]

Não há amor como o primeiro. Mais tarde, quando se deixa de crescer, há o equivalente adulto ao primeiro amor – é o primeiro casamento; mas não é igual. O primeiro amor é uma chapada, um sacudir das raízes adormecidas dos cabelos, uma voragem que nos come as entranhas e não nos explica. Electrifica-nos a capacidade de poder amar. Ardem-nos as órbitas dos olhos, do impensável calor de podermos ser amados. Atiramo-nos ao nosso primeiro amor sem pensar onde vamos cair ou de onde saltamos. Saltamos e caímos. Enchemos o peito de ar, seguramos as narinas com os dedos a fazer de mola de roupa, juramos fazer três ou quatro mortais de costas, e estatelamo-nos na água ou no chão, como patos disparados de um obus, com penas a esvoaçar por toda a parte.

Há amores melhores, mas são amores cansados, amores que já levaram na cabeça, amores que sabem dizer «Alto-e-pára-o-baile», amores que já dão o desconto, amores que já têm medo de se magoarem, amores democráticos, que se discutem e debatem. E todos os amores dão maior prazer que o primeiro. O primeiro amor está para além das categorias normais da dor e do prazer. Não faz sentido sequer. Não tem nada a ver com a vida. Pertence a um mundo que só tem duas cores – o preto-preto feito de todos os tons pretos do planeta e o branco-branco feito de todas as cores do arco-íris, todas a correr umas para as outras.

Podem ficar com a ternura dos 40 e com a loucura dos 30 e com a frescura dos 20 – não outro amor como o doentio, fechado-no-quarto, o amor do armário, com uma nesga de porta que dá para o Paraíso, o amor delirante de ter sempre a boca cheia de coração e não conseguir dizer outra coisa com coisa, nem falar, nem pedir para sair, nem sequer confessar: «Adeus Mariana – desta vez é que me vou mesmo suicidar.» Podem ficar (e que remédio têm) com o savoir-faire e os fait-divers e o «quero com vista pró mar se ainda houver». Não há paz de alma, nem soalheira pachorra de cafunés com champagne, que valha a guerra do primeiro amor, a única em que toda a gente morre e ninguém fica para contar como foi.

Não há regras para gerir o primeiro amor. Se fosse possível ser gerido, ser previsto, ser agendado, ser cuidado, não seria primeiro. A única regra é: Não pensar, não resistir, não duvidar. Como acontece em todas as tragédias, o primeiro amor sofre-se principalmente por não continuar. Anos mais tarde, ainda se sonha retomá-lo, reconquistá-lo, acrescentar um último capítulo mais feliz ou mais arrumado. Mas não pode ser. O primeiro amor é o único milagre da nossa vida – e não há milagres em segunda mão. É tão separado do resto como se fosse uma primeira vida. Depois do primeiro amor, morre-se. Quando se renasce há uma ressaca. É um misto de «Livra! Ainda bem que já acabou!» e de «Mas o que é isto? Para onde é que foi?».

Os outros amores são maiores, são mais verdadeiros, respeitam mais as personalidades, são mais construtivos – são tudo aquilo que se quiser. Mas formam um conjunto entre eles. O segundo e o terceiro e o quarto, por muito diferentes, são mais parecidos. São amores que se conhecem uns aos outros, bebem copos juntos, telefonam-se, combinam ir à Baixa comprar cortinados. O primeiro amor não forma conjunto nenhum. Nem sequer entre os dois amantes – os primeiros, primeiríssimos amantes. Acabam tão separados os dois como o primeiro amor acaba separado dos demais. O amor foi a única coisa que os prendeu e o amor, como toda a gente sabe, não chega para quase nada. É preciso respeito e bláblá, compreensão mútua e muito bláblá, e até uma certa amizade bláblá. Para se fazer uma vida a dois que seja recompensadora e sobretudo bláblá, o amor não chega. Não se vive só dele. Não se come. Não se deixa mobilar. Bláblá e enfim.

Mas é por ser insustentável e irrepetível que o primeiro amor não se esquece. Parece impossível porque foi. Não deu nada do que se quis. Não levou a parte nenhuma. O primeiro amor deveria ser o primeiro e esquecer-se, mas toda a gente sabe, durante o primeiro amor ou depois, que é sempre o último.

Afinal nem é por ser primeiro, nem é por ser amor. A força do primeiro amor vem de queimar – do incêndio incontrolável – todas aquelas ilusões e esperanças, saudades pequenas e sentimentos, que nascem em nós com uma força exagerada e excessiva. Como se queima um campo para crescer plantas nele. Se fôssemos para todos os outros amores com o coração semelhantemente alucinado e confuso, nunca mais seríamos felizes. É essa a tristeza do primeiro amor. Prepara-nos para sermos felizes, limando arestas, queimando energias, esgotando inusitadas pulsões, tornando-nos mais «inteligentes».

É por isso que o primeiro amor fica com a metade mais selvagem e inocente de nós. Seguimos caminho, para outros amores, mais suaves e civilizados, menos exigentes e mais compreensivos. Será por isso que o primeiro amor nunca é o único? Que lindo seria se fosse mesmo. Só para que não houvesse outro.

Miguel Esteves Cardoso, in Os Meus Problemas (1988)

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