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Em Outubro, Mês Internacional das Bibliotecas Escolares, associe-se ao Festival Literário Internacional de Óbidos, cujo o tema é “O Tempo e o Medo”. Seja destemido e venha participar no Fólio Educa.

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carlos amaralFoi com livros, poesia, liberdade e evocações de momentos em que essa liberdade não estava ao alcance da esmagadora maioria dos portugueses que decorreu a  Semana da Leitura promovida pela BE da ESDS entre os dias 22 e 27 do passado mês de abril.

Assim, o Prof. Carlos Amaral, com base em alguns excertos da sua obra,  e contando com a colaboração dos alunos Francisco Jordão e Pedro Pendão, encheu de poesia e gesto o espaço da entrada da BE no primeiro intervalo da manhã do dia 23, lembrando que a palavra e a sua interpretação não são só uma forma de arte mas um exercício de liberdade.

Esteve igualmente patente, durante 2 semanas a exposiçãoLivro & Liberdade – que pretendia evocar esse direito pelo qual tantos lutaram. Os visitantes puderam ver alguns facsímiles de  autos de censura de livros desde 1933 a 1974, bastante reveladores da moralidade da época. Neles os “analistas” literários desse lápis azul (na maior parte de um vermelho pleno de raiva censória) tecem considerações acerca da falta de qualidade da poesia de Miguel Torga, da imoralidade da vida de Simone de Beauvoir, e da protagonista do também proibido Bonjour Tristesse (de Françoise Sagan), entre muitos outros a merecer uma atenção mais cuidada do leitor curioso na galeria que abaixo exibimos. Estiveram também expostas cópias de alguns dos mais vistosos cartazes da revolução, completamente desconhecidos dos mais novos, mas ainda na memória de muitos de nós.

Uma palavra especial para todos os que tornaram possível esta Semana da Leitura: para além do prof. Carlos Amaral, as colaboradoras da biblioteca, Helena Amaro e Fernanda Peralta, pelo seu constante entusiasmo e disponibilidade, assim como a prof.ª Luísa Oliveira pela colaboração na seleção documental, a prof.ª Ana Noválio pela seleção de letras e músicas com que a rádio da escola acompanhou o evento e, finalmente,  todos os colegas de Português que desenvolveram atividades nesta semana temática nos seus períodos letivos.

Fernando Rebelo

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LL2

Tal como anunciado aqui no Bibli, vai realizar-se a Semana da Leitura, entre 22 e 27 de Abril, sob o tema Livro & Liberdade, que pretende juntar as efemérides dos dias 23 e 25 de Abril. Assim, o evento incluirá uma exposição sobre o mesmo tema, com informações sobre a Censura em Portugal no período do Estado Novo, facsímiles dos Autos de Censura de obras de autores conhecidos, tal como uma pequena mostra de cartazes da  revolução.

Teremos ainda no dia 23 de Abril, entre as 10 e as 10:15, uma performance poética na biblioteca, concebida e realizada pelo professor Carlos Amaral e os alunos do Ateliê de Expressão Dramática sob o tema da liberdade.

Por seu turno, a Associação de Estudantes, na pessoa do seu presidente João Simões, responsáveis pela animação sonora dos intervalos, disponibilizou-se para passar nesses dias música e palavras dedicadas à literatura e à liberdade, enquanto os professores de Português deverão dispor de algum tempo dos seus períodos letivos para a realização de atividades com os alunos na mesma linha temática.

Boas Leituras e Viva a Liberdade!

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Daniel Pennac

Em 1992, Daniel Pennac registava no seu livro Como um romance os Direitos Inalienáveis do Leitor e, não por acaso, logo à cabeça surgia O Direito de Não Ler.

De facto, por mais que custe a professores, bibliotecários, bibliómanos ou simples leitores felizes, assim é: chama-se liberdade. E foi conquistada há 38 anos, quando nesta madrugada de 24 para 25 se acabou, entre muitas coisas, que hoje nos parecem completamente inadmissíveis, com a estupidez tirânica de proibir pessoas de ler certos livros, de ver certos filmes, de ouvir determinadas músicas. Chamava-se censura e já só as gerações mais velhas  se lembram dela.

Não era nada de novo; nem sequer foi inventada por esse estado que se chamou a si próprio de “Novo”. Já existia na cultura ocidental, no index da inquisição, nos outros fascimos, nazismos e quejandos que dominaram parte da Europa no séc. XX. Fosse em nome de um qualquer deus, moral, ou patriotismo acéfalo, outros decidiram o que podíamos ler, ouvir, ver, pensar.

Instituida em 1926, a censura, desse mais tarde chamado Estado Novo, sujeitava a exame prévio tudo o que se escrevia, e apreendia as obras que considerava não alinhadas com a ideologia dominante. O célebre lápis azul, que eliminou palavras, frases, textos de autores como Aquilino Ribeiro, Luís de Sttau Monteiro, Alexandre O’Neil, José Régio, entre muitos outros, impediu uma população de dizer o que queria, de ler o que queria.

E é curioso o critério do que era considerado impróprio: obras didáticas como A Vida Sexual, de Egas Moniz, de 1933 (o nosso outro prémio Nobel), ou a História da Literatura Portuguesa, de José António Saraiva, de 1965 (obra quase incontornável ainda hoje no estudo do tema), eram perigosos manifestos subversivos, antipatrióticos ou imorais, que fazem parte do extenso  registo de 900 obras banidas desde 1933 (a que os leitores interessados podem ter acesso aqui).

É difícil explicar isto a quem não nasceu com isto, a quem, por desconhecimento, ou por estar zangado com os tempos que hoje vivemos, afirma ter saudades daquilo. Mas o certo é que “aquilo” era nem sequer se poder estar a escrever isto, nem mesmo se poder dizer agora que se tem saudades daquilo.

Por isso, com mais ou menos razões para festejar esta madrugada, qualquer que seja o sentido que ainda possa ter ao cabo de 38 anos, mesmo para quem não tem dela nenhuma memória, algo de muito precioso lhe devemos – O Direito de (não) Ler,  a Liberdade de o Dizer.

(dedicado aos meus alunos)

Fernando Rebelo

imagens daqui, daqui, daqui, daqui e daqui

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