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Posts Tagged ‘Camilo Castelo Branco’

Amor de Perdição, obra publicada por Camilo Castelo Branco em 1862, celebra 150 anos. Talvez a narrativa mais conhecida da fase final do romantismo português,  sem dúvida a obra mais famosa deste escritor, conta, parte narrativa, parte epistolar, a tragédia do triângulo amoroso envolvendo Simão e Teresa, irremediavelmente apaixonados contra a vontade das respetivas famílias, e Mariana, que dedica a sua vida a Simão e que com este morre. Na linha dos grandes amores trágicos, como Pedro e Inês e Romeu e Julieta, é por muitos considerada uma obra prima, enquanto outros preferem as obras de Camilo mais inseridas na linha da sátira social.

Para celebrar esta efeméride, o Centro Cultural de Belém promove uma série de iniciativas culturais entre os dias 22 e 27 de outubro, como noticia o Jornal Sol:

«Camilo Castelo Branco: As paixões juvenis e o Amor de Perdição» dão o mote a um ciclo de iniciativas, que se realiza no Centro Cultural de Belém (CCB), para celebrar os 150 anos da edição do romance do escritor.

Camilo Castelo Branco – caricatura de Bordalo Pinheiro

O ciclo começa segunda-feira, no CCB, em Lisboa, e, até dia 27, inclui exposições, concertos, debates e a exibição de filmes,contando com as participações, entre outros, de Fernando Pinto do Amaral, João Lopes, José Manuel de Oliveira, José Pacheco Pereira, Álvaro Laborinho Lúcio, Maria Ana Bobone, Nicholas McNair e Pedro Abrunhosa.

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Sabia que na versão original do livro Contacto, de Carl Sagan, não é só uma personagem que tem uma experiência extraterrestre? E que no romance O Nome da Rosa, de Umberto Eco, a rapariga por quem Adso se apaixona acaba no final por ser queimada pela inquisição como feiticeira? Se não sabia, o melhor mesmo é ler o livro…

“Este livro dava um filme!” é um frequente elogio com que brindamos  uma obra literária que, quer pelas emoções que desperta, quer pela qualidade “visual” da história e das personagens, constitui um potencial argumento para uma película. Porém, se é verdade que vivemos desde há décadas numa época muito fortemente marcada pela imagem, há ainda muitos leitores que tendo sido impressionados por determinados livros ficaram completamente desapontados com as suas versões cinematográficas, não obstante a qualidade da fotografia, realização e interpretação dos seus intervenientes.

Como substituir a capacidade evocativa da palavra na nossa imaginação por uma imagem “pronta a ver” ali à nossa frente? Quem poderá alguma vez “filmar” a beleza de certas frases, a descrição literária de uma paisagem, de uma personalidade, o jogo de silêncios e vozes da boa literatura? Mesmo assim, se algumas versões filmadas não passaram de simplificações grotescas de obras literárias, outras conseguiram, se não ganhar autonomia dentro da sua própria linguagem, como obras de arte em sim mesmas, não desmerecer as narrativas literárias em que se basearam, dando-lhes uma projeção mediática que de outra forma nunca obteriam.

O certo é que, se realmente de arte falamos, estamos perante duas linguagens completamente diferentes, com uma técnica, um ritmo e um tempo próprios e com igual potencial para estimular a nossa sensibilidade. Assim sendo, aqui ficam algumas sugestões disponíveis na nossa biblioteca – para que quem só viu o filme, possa ler o livro que lhe deu origem, ou inversamente, descobrir, como leitor, a forma como outros leitores o interpretaram no cinema.

Fernando Rebelo

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Outubro foi o mês do Doclisboa que mais uma vez constituiu um sucesso  devido à qualidade das obras apresentadas que  despertaram o interesse de um vasto público . O vencedor da edição deste ano foi El Sicario Room 164 do italiano Gianfranco Rosi, um longo monólogo confessional de um assassino contratado a soldo dos traficantes de droga mexicanos. O vencedor da Competição Portuguesa nas categorias  de longas e médias-metragens  e do Prémio Escolas coube a Li Ké Terra de Filipa Reis, João Miller Guerra e Nuno Baptista  que acompanha o quotidiano de dois jovens de ascendência cabo-verdiana na sua busca de um futuro em Portugal.

Ainda sobre festivais portugueses, vai realizar-se de 5 a 14 de Novembro a 4º edição do Estoril Film Festival com a apresentação de várias produções europeias. Os realizadores  Abbas Kiarostami, Elia Suleiman , Stephen Frears  e o actor John Malkovich, entre outros, vão marcar presença nesta edição cujo programa completo pode ser consultado em  aqui.

De 8 a 14 de Novembro, certamente que muitos apreciadores de cinema se deslocam a Espinho onde decorre a 34ª edição do CINANIMA , Festival Internacional de Cinema de Animação com o interessante programa em www.cinanima.pt.

Na Aula Magna em 5 e 6 de Novembro realiza-se uma iniciativa curiosa , a Lisbon Film Orchestra, com a interpretação de  bandas sonoras de grandes sucessos de bilheteira.

No que respeita às estreias do mês,  a produção nacional apresentou duas obras de Ivo Ferreira: a curta-metragem O estrangeiro e o interessante  documentário sobre emigração Vai com o vento, expressão de despedida que se usa na China quando alguém  vai partir para longe.

Também estreou-se a curta-metragem Shoot me de André  Badalo, vencedora do  Prémio do Público no Festival Internacional de Cinema de Milão e Menção Honrosa no Los Angeles Movie Awards, e Quero ser uma estrela de José Carlos Oliveira.

Facto curioso é a excelente recepção que tem tido  em França o longuíssimo Mistérios de Lisboa do chileno Raúl Ruíz e produção de Paulo Branco, baseado na obra homónima de Camilo Castelo Branco, escrita  em 1854 .  Como continua em cartaz  deve ser visto, pois é considerado por alguns uma obra-prima.As comédias   estreadas foram Mac Gruber –licença para estragar de Jorma Taccone, uma paródia ao famoso herói dos anos 80 MacGyver, É a vida de Greg Berlanti,  Uma família moderna de Ferzan Ozpeek , Sempre que te vejo de Burr Steers e Agentes de reserva de Adam Mckay com o actor cómico Will Ferrell.

As produções francesas marcaram presença com os dramas  O pai das minhas filhas de Mia Hansen- Love , filme  sobre desespero inspirado na história do produtor Humbert Balsan, Arrependimentos de Cédric Kahn , O refúgio de François Ozon , a magia do circo ambulante em  36 vistas do Monte Saint-Loup de Jacques Rivette  e  a biografia de um ícone francês em Gainsbourg- vida heróica de Joann Sfar .

O tema dos vampiros é retomado com o remake  americano de um recente filme sueco Deixa-me entrar de Matt Reeves . Com algum interesse , o irlandês Ondine de Neil Jordan,  O último Verão de Boyta da argentina Júlia Solomonoff,  e  Só eles de Scott Hicks .

Para entreter as crianças e não só,  os filmes de animação  Lenda dos guardiões de Zack Snyder e Gru- o maldisposto de Chris Renaud e Pierre Coffin.

O terror  esteve presente no claustrafóbico   Rec2 de Jaume Balagueró e Paço Plaza , em O último exorcismo de Daniel Stamm, A nova filha de Luís Berdejo, na sequela Actividade paranormal 2 de Tod Williams e  na ficção científica   alemã Pandorum- universo paralelo de Christian Alva .

Os fãs de trash-metal podem ocupar, ainda, os dias de Outono assistindo ao documentário de The Big 4 de Nick Wickham sobre o Festival Sonisphere que juntou as bandas Metallica, Slayer, Megadeth e Antrax.

Termino referindo o filme do mês A cidade realizado e protagonizado por Ben Affleck, um dos filmes mais aclamados no Festival de Toronto. Este thriller com acção em Boston  tem recebido as melhores críticas  no que é considerado um filme de polícias e ladrões à moda antiga. A história de um crime é humanizada  não só pelo argumento como pelas boas interpretações dos actores . Com este filme Ben Affleck , que se estreou na realização  em 2007com o perturbante Vista pela Última vez, impõe-se cada vez mais como um  aclamado realizador .

Luísa Oliveira


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