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premio-nobel As cerimónias oficiais de entrega dos Prémios Nobel 2012 realizaram-se no  dia 10, aniversário da morte do industrial e filantropo sueco Alfred Nobel em 1896, distribuindo-se entre Oslo e Estocolmo e, como vem sendo habitual, rodeadas de alguma polémica que começa com a indicação dos laureados, em outubro.

Este ano foi o caso do Prémio Nobel da Paz atribuído à União Europeia que, embora justificado pelo  seu contributo para a

Von Rumpoy, Barroso e Shultz

Von Rumpoy, Barroso e Shulz

democracia e direitos humanos e pela transformação de “um continente de guerra num continente de paz” não impediu que muitas vozes se levantassem contra esta atribuição. Entre os contestatários estiveram antigos galardoados, nomeadamente o arcebispo sul-africano Desmond Tutu e o líder histórico polaco Lech Walesa. Mas, apesar da contestação e de marchas de protesto, a cerimónia realizou-se na Câmara Municipal de Oslo e os presidentes do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso e do Parlamento Europeu, Martin Schulz comprometeram-se a defender o euro  como forma de preservar  a União numa época de  crise e tensão entre os  seus  membros, muitos deles presentes na cerimónia. Em resposta à contestação, o valor pecuniário do prémio  de 930.000 euros será destinado a projetos de apoio a crianças vítimas de conflitos armados. Na cerimónia oficial a cultura portuguesa esteve representada com a atuação da banda de Almada, OqueStrada.

Prémio Nobel Literatura

Mo Yan

Os restantes prémios foram entregues no Concert Hall, em Estocolmo, e a polémica também rodeou o Nobel da Literatura  atribuído ao escritor chinês , pseudónimo literário de Guan Moye,  que significa”não fales”. A obra de Mo Yan foi reconhecida pelo “realismo alucinatório” que “funde contos populares, história e o contemporâneo”, como justificou em outubro passado a Academia Sueca, durante o anúncio do laureado. Em Portugal, foi publicado em 2007 o excelente “Peito grande, ancas largas”,  traduzido por João Martins e editado pela Ulisseia, aguardando-se a publicação das restantes obras. Mo Yan, que se define como “ contador de histórias”, sendo um  dos escritores chineses contemporâneos mais publicados, nasceu numa família pobre da China rural dedicando o seu prémio à falecida mãe analfabeta. Mo Yan considera que “um escritor deve enterrar os seus pensamentos e transmiti-los através dos personagens dos seus romances”, assume-se como independente, tendo sido bastante criticado  pelos dissidentes chineses por não assinar  uma petição pela libertação do seu compatriota Liu Xiaobo, Prémio Nobel da Paz em 2010. Curiosamente, algumas das suas obras estiveram proibidas pelo regime que agora vem elogiá-lo considerando que a atribuição do prémio é um reconhecimento do valor da cultura chinesa.

O Nobel de  Fisiologia e Medicina foi entregue ao britânico John B. Gurdon do Institute Gurdon no Reino Unido e ao japonês Shinya Yamanaka da Drawing1Universidade de Quioto pela descoberta de que “as células humanas maduras podem ser reprogramadas para se tornarem pluripotentes“ possibilitando o seu desenvolvimento em qualquer tecido do corpo. Conforme o comunicado, “A sua descoberta revolucionou a nossa compreensão de como as células  e os organismos se desenvolvem”.

nobel físicaO francês Serge Haroche do College de France e o norte-americano David J. Wineland  da Universidade do Colorado receberam o Nobel de Física, pela pesquisa em que desenvolveram inovadores métodos experimentais que permitem medição e manipulação de sistemas quânticos individuais e, conforme foi referido, “abriram a porta para uma nova era de experimentação em física quântica”. Segundo o comunicado da Academia Nobel, o trabalho dos dois investigadores ajudou nas primeiras fases de desenvolvimento de um novo tipo de super computadores baseados na física quântica assim como a  construção de um novo tipo de relógio que poderá tornar-se a base de um novo sistema de medição do tempo, com uma precisão cem vezes superior à dos atuais relógios atómicos.Prémio Nobel Química

O Nobel de  Química   foi para os norte-americanos Robert J. Lefkowitz e Brian K. Kobilka com “estudos sobre os recetores acoplados à proteína G”, uma família de receptores situados nas membranas celulares que se ligam a moléculas no exterior e enviam “sinais” para dentro, possibilitando que a célula responda de maneira específica.

nobel_economia_0O Nobel da Economia  criado pelo Banco da Suécia, em 1969, foi igualmente atribuído a dois norte-americanos, Alvin Roth  da Universidade de Harvard e Lloyd Shapley da Universidade da Califórnia, pela investigação sobre os mercados: “ teoria de alocações estáveis e ao modelo de mercado”.

Os rituais que se mantêm há décadas nas cerimónias de gala, conferências, palestras são rodeados por algum fausto mas, sinal dos tempos, a dotação financeira  dos prémios teve uma redução de  20%.

Luísa Oliveira

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olhando 2012, Francesca Cosanti

Cada ano pretende ser um ciclo que se encerra para começar um outro que todos desejam que possa ser melhor, ou pelo menos não pior que o anterior. Deita-se fora o Ano Velho (às vezes literalmente desfazendo-nos de coisas velhas, já sem uso) e saúda-se efusivamente com fogo e ruído a chegada do Novo.

O que significará realmente entrarmos em 2012? Para os eternos apocalípticos, o final dos tempos ou, pelo menos, dos tempos tal como os conhecemos, a dar fé em algumas interpretações de calendários de culturas ancestrais, nomeadamente dos Maias. Será que esta visão ancestral se refere ao colapso do Euro? Ao fim do sistema financeiro? O que é certo é que, ao ouvirmos as notícias todos os dias, não necessitamos de  interpretações complexas de calendários antigos para temer a imprevisibilidade do futuro.

Mas em que ano estamos afinal? Para os Judeus, em 5772 – os anos que o mundo tem desde o dia da sua criação; para os Muçulmanos em 1432, contados desde a data da fuga de Maomé de Meca para Medina. Finalmente, para os chineses e outros povos orientais, vivemos em pleno 4709 até 2 de Fevereiro de 2012. No entanto, até o conceito de “ano” como medida de tempo varia na sua conceção, pois enquanto o calendário Muçulmano é um calendário lunar puro, o hebraico e o chinês são lunissolares. Porém, o que nos dá, ao fim e ao cabo, pretexto, na noite de hoje, para tanto alarido é o calendário gregoriano, que diversas globalizações acabaram por tornar universal.

Jano

Curiosamente o mês que à meia-noite começa, janeiro, deve o seu nome ao deus romano Jano, o deus das escolhas e decisões, das entradas e das saídas, dos princípios e dos fins. Jano foi sempre representado com 2 caras – e reza a tradição que se uma olhava o passado, a outra fitava o futuro; se uma era pessimista, a outra, por seu turno, expressava otimismo. Assim, como o futuro vai chegando todos os dias, quer queiramos ou não, sob este calendário ou outro qualquer, ao menos que possamos olhá-lo com a cara  otimista de Jano.

Bom Ano.

Fernando Rebelo

imagens daqui, daqui e daqui

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