Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for Abril, 2013

aceda à notícia

aceda à notícia

… e ainda a propósito de arte, não podemos deixar de assinalar o 120º aniversário do nascimento de José de Almada Negreiros, hoje assinalado, em Lisboa, com o lançamento do programa de comemorações e a inauguração de uma exposição inspirada no artista multifacetado, de acordo com notícia do jornal Expresso, que descreve com mais detalhes a programação das comemorações, cuja leitura sugerimos, assim como uma fotobiografia do artista disponibilizada pelo jornal Público.

Read Full Post »

Andy Goldsworthy

Andy Goldsworthy

Apenas uma das muitas deambulações de Andy Goldsworthy pelo planeta em busca da sua obra leva-o a deixar a sua marca artística desde o Pólo Norte, à Austrália, ao Japão. O que procura este artista que declara “I need the land” (preciso do lugar)? Perceber a essência de um determinado ambiente, capturar a sua energia, a sua seiva, e materializar essa captura numa intervenção – esta é a narrativa que subjaz ao gesto de Andy Goldsworthy.

O artista  parte de três premissas, o tempo, a mudança e o lugar, e busca a colaboração com a natureza e os seus movimentos cíclicos: crescimento, transformação, decadência, erosão, deterioração, aparecimento,  desaparecimento,  durabilidade, permanência.  E de quê? De pedras, da terra, de lamas e lavas, do mar, dos rios, das folhas e ramos, do gelo e da neve, da luz, e também da atmosfera, da paisagem, da forma e do recorte do horizonte que são igualmente fatores inseparáveis do seu trabalho. A ideia é: tudo na natureza é transitório, o seu gesto também.

Andy Goldsworthy, inglês nascido em 1956 em Cheshire, atualmente a viver na Escócia, é hoje considerado um dos mais criativos e bem-sucedidos artistas a trabalhar na tradição do movimento da Land Art. Esta corrente, que alcançou Goldsworthy north polevisibilidade nos EUA nos finais dos anos 60, com as grandes intervenções nos desertos da Califórnia e montanhas do Nevada e Arizona, virou costas às paredes das galerias e dos museus. Esta opção pelo planeta como meio de expressão tem a ver com a emergência do novo culto da natureza trazido pelas preocupações ecologistas, mas também, entre outros fatores, com o cansaço provocado pela excessiva despersonalização das propostas minimalistas, quase hegemónicas na arte contemporânea da altura. Nas suas obras, que diz pretenderem ir direitas ao “coração da natureza”, utiliza técnicas variadas, desde as mais minimalistas e minuciosas, às mais intrusivas, realizando instalações em espaço aberto, muitas vezes em locais recônditos e de difícil acesso. As ferramentas que utiliza com mais frequência são as mãos, eventualmente recorre a outros  utensílios, que inventa  recolhendo  da natureza. Sendo trabalhos efémeros, sujeitos à degradação, é o registo fílmico ou fotográfico que os eterniza (e os transporta para o gallery system, ou seja, para o mercado das artes).

Andy Goldsworthy considera-se um artista do ambiente (environmente artist) e para ele a arte é um processo contínuo e reflexo (“sempre que possível faço um trabalho por dia”), que resulta da sua busca e encontro com a paisagem. Encontro nem sempre profícuo, nem sempre fácil, por vezes fortuito. Percorre o mundo para o fazer, permanecendo por vezes bastante tempo no mesmo local. O ver, o tocar, assim como o lugar em si, o próprio tempo, a atmosfera, a forma e o recorte do horizonte são todos fatores inseparáveis do trabalho. “O lugar encontra-se caminhando, a direção é determinada pelo tempo e pela estação do ano. Agarro as oportunidades que cada dia oferece: se está a nevar, trabalho com neve, no outono com folhas, no inverno com ramos, A alguns lugares volto mais vezes, vezes sem conta, indo mais ao fundo – uma relação em camadas, que perdura no tempo”.

captura-de-pantalla-2012-05-13-a-las-11-39-09No entanto nem sempre o artista sabe o que procura, o que quer fazer, e por vezes, depois de uma busca infrutífera, a oportunidade acaba por se revelar de forma quase óbvia. Impõe-se então de forma intuitiva, já lá estava, não só o local e o material em si, mas também o processo que envolve a sua transformação, assim como a sua envolvente, aquilo que chama o espaço exterior tornado visível, e que é parte indissociável do trabalho. Cria-se então uma imagem definida na confusão de impressões que emanam de determinada paisagem. Esta imagem, que se traduz numa transformação, resulta da atividade mental do artista que declara querer ir “mais além da superfície”.

A sua intenção porém não é deixar uma marca na natureza, mas apenas com ela colaborar, criando uma nova perceção, perceção essa que será depois deixada ao seu destino. Acontece o seu trabalho ser levado ao limite do seu próprio colapso, e não poucas vezes, repetidamente; a obra será conseguida quando se sustentar. A arte é então a beleza desse equilíbrio, ainda que transitório e fugaz.

Cristina Teixeira

Bibliografia:

HOLLIS, Jill, CAMERON, Ian. (1990) Andy Goldsworthy: “A Collaboration with Nature”, New York: Harry N. Abrams Incorporated; Andy Goldsworthy, “Time”

Fonte das imagens: daqui, daqui e daqui   – mais imagens aqui

Read Full Post »

1365013513fest

clique para mais informações

Read Full Post »

mlk

Read Full Post »

No rescaldo dos grandes prémios de cinema, sobressaem algumas estreias interessantes: A última vez que vi Macau, complementado com a curta- metragem Alvorada vermelha, ambas de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra de Mata, estrearam-se comercialmente ao mesmo tempo que foi noticiado que o primeiro foi selecionado, juntamente com As linhas de Wellington de Valerie Sarniento, para a 29ª edição do festival de Villeurbanne, França, na categoria de “reflexos do cinema ibérico e latino-americano”.  A aguardada estreia de Comboio noturno para Lisboa, do dinamarquês Bille August, adaptação do romance homónimo de 2004 de Pascal Mercier, pseudónimo literário do filósofo Peter Bieri, trouxe a Lisboa realizador, escritor e os atores Jeremy Irons e Christopher Lee de uma obra que tem o mérito de divulgar a capital  a nível turístico.

De Espanha chega-nos o filme mudo e a preto e branco, adaptação do famoso conto dos irmãos Grimm com argumento e realização de Pablo Berger, Branca de  Neve, o grande vencedor dos Prémios Goya, arrecandando 10 estatuetas. Coincidindo com  a realização do Fantasporto estreou-se o sucesso de bilheteira, Mamã, do realizador argentino Andrés Muschietti, uma coprodução hispano-canadiana de Guillermo del Toro, que venceu os prémios de melhor filme, melhor realizador e melhor actriz (Jessica Chastain) na secção de Cinema Fantástico da 33ª edição daquele festival. Neste emblemático evento na longa lista dos galardões atribuídos merece destaque o Prémio Carreira, atribuído ao realizador português António de Macedo e a homenagem a Manoel de Oliveira, na passagem dos 70 anos sobre a estreia de Aniki-Bóbó (1942). Na secção exclusivamente dedicada ao Cinema Português, foi distinguido o documentário de Luís Moya, Mia Mia Sudan Tamam Tamam, sobre o povo do Sudão e Restart, trabalho coletivo do Instituto de Criatividade, Artes e Novas Tecnologias, de Lisboa (Prémio Escolas de Cinema).

Igualmente aguardado com expetativa Oz – O grande e poderoso de Sam Raimi que, apesar da grandeza que os meios técnicos proporcionam, não consegue suplantar a magia do clássico de 1932 realizado por Victor Fleming. Referência, de igual modo, para as seguintes estreias: o comovente drama franco-belga  Ferrugem e Osso com argumento e realização de Jacques Audiard  e excelentes interpretações de Marion Cotlliard e Mathias Schoenaerts;  a animação para todas as idades de Os croods de Chris Sanders e Kirk DeMicco e As fantásticas aventuras de TAD de Enrique Gato; o argumento divertido e absurdo de Sete psicopatas de Martin Mcdonagh e a descontração de Robô e Frank de Jack Shreir; da Dinamarca  o drama histórico Um caso real de Nikolaj Arcel, nomeado para o Óscar de melhor filme estrangeiro e que relata os factos verídicos ocorridos no reinado de Christian VII, no século XVIII,  que vão contribuir para a implantação dos ideais iluministas, e ainda, o perturbante e intenso, A caça de Thomas Vinterberg. Por fim, Terra prometida de Gus Van Sant com Matt Damon como ator, co-argumentista e produtor  e um elenco de luxo  num  belo filme de mensagem e de confronto entre o dinheiro e a tradição.

Como prova do reconhecimento da qualidade da cinematografia nacional, o realizador Miguel Lopes vai presidir à Semana de Crítica do festival de Cannes 2013. A longa-metragem do realizador português João Canijo Sangue do meu sangue volta a ser distinguida a nível internacional tendo, desta vez, sido distinguida com o grande prémio do Festival Cinema Mundi, na República Checa. Quanto a eventos nacionais, a 10ª edição do Indielisboa, festival internacional de cinema independente, realiza-se de 18 a 28 abril e, contrariando a crise, apresenta 250 filmes estrangeiros e portugueses na Culturgest, cinemas São Jorge e City Alvalade e Cinemateca, revelando-se mais uma oportunidade para apreciarmos uma diversidade de obras.

Relembro que continua, no bar Bicaense, o ShortcutzLisboa, movimento internacional de curtas metragens, com a exibição, às 3ª feiras, de três curtas metragens, sendo uma convidada e as outras duas em competição para a melhor do mês e sempre com a presença de personalidades do meio cinematográfico. Na Casa da América Latina, de abril a outubro, são apresentados documentários para dar a conhecer escritores da literatura latino-americana numa iniciativa denominada “Escritores en primera persona”. Num período em que o país é apresentado como o que perdeu mais espetadores de cinema, no ano transato, conforme informação do Observatório Europeu do Visual, estas iniciativas representam um estímulo para os apreciadores da 7ª arte.

Luísa Oliveira

Read Full Post »

« Newer Posts